quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Crônicas do "Seu Velho"

Sou Velho, cheguei no Brasil quando estava com trinta e poucos anos. Era como se renacer, cheio de ideais, cheio de desilusões românticas... pois é, náo há a nada como o sentimento de ser abandonado. Ao longo das nossas vidas, temos que desistir de algumas projetos... Aquele de conceber uma família é comum a muita gente, mas quando fracassa-se dói... Assim decidi tentar não agradar a ninguém no objetivo de achar o meu próprio caminho, mas só existimos através das nosas interações. Então entendi que não adiantava estar feliz sozinho, sem compartilhar essa alegria de viver. O eremita é bonito, lá na sua gruta, mas não sente o prazer de partir a sua energia, o seu entusiasmo.

Aprendi que pudemos ser amados sem ser perfeitos. Temos tudos qualidades e defeitos, mas precisamos ver os lados bons dos nossos contatos. Sozinhos não conseguimos muitos planos. A internet até dá a impressão que pudemos construir o seu território, mas só faz sentido se o seu talento é dividido com outros.

Sobre mim: Me sinto um privilegiado, nunca senti fome na minha infância. Mas nunca me senti bem se aparecer por ser mais abastado do que o padrão do lugar onde vivi. Sempre gostava de usar roupa comum, que não parecia nova, como se não merecia roupa chique. A fartura precisa ser geralizada. Uma linda casa no meio da favela não é valorizada... Temos recursos para abastecer a humanidade, mesmo com fontes
de alimentos. Me deixa louco de ainda ver no terceiro milénio crianças passar fome. Acho que por causa da preocupação de sub-população no futuro que deixamos populações famintas, adoecendo e morrendo e resolvendo o crescimento descontrolado neste planeta.

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