Sou Velho, cheguei no Brasil quando estava com trinta e
poucos anos. Era como se renacer, cheio de ideais, cheio de
desilusões românticas... pois é, náo há a nada como o
sentimento de ser abandonado. Ao longo das nossas vidas, temos que
desistir de algumas projetos... Aquele de conceber uma família é
comum a muita gente, mas quando fracassa-se dói... Assim decidi tentar
não agradar a ninguém no objetivo de achar o meu próprio caminho,
mas só existimos através das nosas interações. Então entendi que
não adiantava estar feliz sozinho, sem compartilhar essa alegria de
viver. O eremita é bonito, lá na sua gruta, mas não sente o prazer
de partir a sua energia, o seu entusiasmo.
Aprendi que pudemos ser amados sem ser perfeitos. Temos
tudos qualidades e defeitos, mas precisamos ver os lados bons dos
nossos contatos. Sozinhos não conseguimos muitos planos. A internet
até dá a impressão que pudemos construir o seu território, mas só
faz sentido se o seu talento é dividido com outros.
Sobre mim: Me
sinto um privilegiado, nunca senti fome na minha infância. Mas nunca
me senti bem se aparecer por ser mais abastado do que o padrão do
lugar onde vivi. Sempre gostava de usar roupa comum, que não parecia
nova, como se não merecia roupa chique. A fartura precisa ser
geralizada. Uma linda casa no meio da favela não é valorizada...
Temos recursos para abastecer a humanidade, mesmo com fontes
de alimentos.
Me deixa louco de ainda ver no terceiro milénio crianças passar
fome. Acho que por causa da preocupação de sub-população no
futuro que deixamos populações famintas, adoecendo e morrendo e
resolvendo o crescimento descontrolado neste planeta.
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